Videoperformance destaca práticas de violência simbólica entre Portugal e Pará

Contemplada pelo Prêmio Rede Virtual de Arte e Cultura, da Fundação Cultural do Pará, De Uma Belém a Outra será transmitida na plataforma Uncool Artist



Frame da videoperformance De uma Belém a outra do artista visual Maurício Igor.


Afinal, o que existe em comum entre Belém do Pará e a Belém Lusitana? E Brasil e Portugal? Quais são os contrastes visuais e socioculturais entre as terras além-mar e as amazônidas? São essas as respostas e provocações presentes em De uma Belém a outra, exposição (d)e videoperformance do artista visual Mauricio Igor, que estará disponível a partir desta sexta-feira (26) na plataforma da Uncool Artist, canal brasileiro-estadunidense de artistas, educadores e criativos independentes.


A obra problematiza temas como racismo, xenofobia, colonialismo e a existência de monumentos históricos que reforçam e renovam tais ideias colonialistas e preconceituosas. O artista retrata as discrepâncias que existem na Belém portuguesa e na amazônica, além de sentir na pele – literalmente – o que os “conquistadores” continuam a enfatizar, até mesmo em monumentos históricos.


Tais percepções foram iniciadas em 2019, quando o artista foi contemplado com bolsa do Programa Santander de Bolsas Ibero-Americanas para estudos de um semestre na Faculdade de Belas Artes na Universidade do Porto, em Portugal. O despertar para o assunto surgiu com um incômodo pessoal e estético de Mauricio. Logo que chegou em Portugal, o jovem paraense ouviu recorrentes vezes que Portugal "descobriu" o Brasil, assim como que a colônia deveria ser “grata” à metrópole, ainda que tantos povos e culturas tenham sido dizimados e anulados devido ao processo de colonização.


Durante a vivência “na metrópole”, ele pôde sentir a sua pele negra e amazônida arder ao deparar-se com o monumento Padrão dos Descobrimentos, localizado em Lisboa. O símbolo representa uma homenagem aos personagens do processo de expansão marítima de Portugal nos séculos XV e XVI em território brasileiro. Há também, em Braga, por exemplo, monumentos que glorificam atos patriotas de homens que ajudam a “pacificar” africanos no século XX, como é o caso da estátua em “Memória dos irmãos Roby”.


“Os monumentos que homenageiam e exaltam as figuras diretas nos processos de colonização também de são formas contribuir para a ideia de hierarquias entre raças e nacionalidades, pois alimentam um orgulho do colonialismo”, explica o artista.

Deste modo, as navegações, que também se baseavam em princípios dominadores e racistas, parecem ter deixado ainda certo legado material e mesmo mental entre os colonizadores, como nos monumentos. Embora simbolizem a identidade nacional e o “heroísmo” do povo português, em um mundo com fronteiras cada vez mais tênues, parece ser necessário promover uma conscientização de um passado que não deverá ser repetido. Isto é acentuado mais ainda no Pará, o Estado brasileiro que possui maior número de cidades e distritos cuja origem dos nomes é Portugal, algo evidente desde o batismo de sua capital como “Belém”.


Para realizar a obra, Mauricio contou com o artista pernambucano Dori Nigro, responsável pelas filmagens e produção da videoperformance. O processo foi fundamental para que a exposição fosse realizada a partir de uma perspectiva de outros corpos, identificados pela mestiçagem, pretitudes, imigração, LGBTQIA+ em um país de brancos e brandos costumes.


Entre corpos e monumentos de concreto, é certo que o debate em relação aos monumentos históricos é urgente e uma questão aberta às ressignificações. Prova disso em escala europeia foi em Bristol (Inglaterra), onde a estátua de Edward Colston, traficante de escravizados, foi derrubada.


Estar presente em um país que tomou as suas terras diz muito sobre o sentimento que espeta o coração do imigrante. "Ser de um país que historicamente foi colonizado é ser visto com olhar de inferioridade. Por isso, direciono minha produção artística de forma a ver criticamente a formação e construção do Brasil e a como estas configurações afetam nossos corpos hoje”, finaliza Mauricio.

Maurício Igor em foto de Isa Raquel.


O ARTISTA - Mauricio Igor é graduado em Licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Federal do Pará. Em 2019, foi contemplado com bolsa do Programa Santander de Bolsas Ibero-Americanas para estudos de um semestre na Faculdade de Belas Artes na Universidade do Porto, em Portugal.


Seu trabalho é focado em reflexões sobre o corpo não hegemônico, atravessando questões de identidades inseridas em temas como miscigenação e sexualidade. Tais processos se desdobram em fotografias, performances, vídeos, textos, intervenções e instalações. Por meio destes, participou de importantes exposições coletivas no Brasil e em Portugal, além de ser premiado no Prêmio Rede Virtual de Arte e Cultura, promovido pela Fundação Cultural do Estado do Pará, e ter sido contemplado pela Lei Aldir Blanc Pará, no edital de Artes Visuais.


Também com o trabalho Vir a Ser, recebeu menção honrosa na XXVIII Mostra de Arte CCBEU Primeiros Passos, em Belém, e foi capa da revista luso-brasileira Performatus, ambos em 2020. Com a série Ô lugarzinho pra ter viado recebeu menção honrosa no FotoSururu - 1º Encontro de Fotografia Criativa, em Maceió-AL.


Serviço

| O QUÊ: Exposição De uma Belém a outra de Maurício Igor

| QUANDO: Estreia no dia 26 de março de 2021 sempre às 20h (Brasil) e 23h (Portugal)

|ONDE: Transmissão ao público através do site www.uncoolarts.com/clube-da-uncool

| MAIS EM: Perfil do artista


Com informações da assessoria de imprensa.


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