No EP “PJL”, Daniel ADR narra sua vida na periferia de Belém


Com produção de Pratagy, Erick Di e Felipe Cordeiro, as 5 faixas são uma proposta de experimentar RAP e house para falar sobre a “vida bandida” da quebrada.


Foto: Tuyuka Lara.


Entre os bairros do Guamá e Cremação, na periferia da capital paraense, Daniel ADR viu muito. Precisou se despedir de gente que foi cedo demais, amigos, parentes, pessoal da sua rua. Assistiu a violência na porta de casa, diariamente. Mas nada o marcou tanto quanto a arte de rimar em cima de batidas secas, que descobriu com o primo mais velho quando ainda tinha 8 anos de idade. É aí que começa a história de “PJL”, seu mais novo trabalho, um EP de 5 músicas que apresenta um novo passo na carreira do rapper que já foi considerado o melhor MC do Pará. O álbum fica disponível para audição no dia 19 de março, em todas as plataformas digitais de música. O projeto foi contemplado pelo edital de Cultura Urbana Periférica da Lei Aldir Blanc Pará e tem produção executiva da Psica Produções.


“PJL”, sigla muito usada pelas maiores facções criminosas do Brasil, Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital, significa “Paz, Justiça e Liberdade”, mas acabou se tornando um lema de resistência das comunidades periféricas de todo Brasil. O mesmo aconteceu no Guamá, o bairro mais populoso de Belém do Pará e onde Daniel sempre viveu. O álbum conta a história da sua vida e é um compilado de crônicas “da sua quebrada”, falando de violência, tráfico, amizade, amor e liberdade para ser o que quiser. Essas três palavras acabam servindo como guias para a vida, mas também para subverter a ideia de que a periferia só produz violência, medo e morte. Também produz poesia e amor. Daniel ADR é um exemplo disso.


“Quero paz tanto mental quanto de espírito, mas paz também aqui pra minha rua, paz pro mundo, paz pros pretos. Eu cansei de passar o dia na rua e quando eu chego em casa é com a notícia que algum brother meu de infância foi assassinado. Justiça porque vários frutos desse país foram construídos em cima da escravidão, e nós queremos que essa dívida seja paga. E Liberdade porque nós não queremos mais ser presos de forma injusta. Ser livre pra ser o que quiser, sem amarras”, traduz Daniel, incorporando a sigla no seu trabalho e assumindo o lema que o acompanha desde criança.

EXPERIMENTAÇÕES - Expoente no Trap (um subgênero do RAP) na cena de música preta de Belém, Daniel ADR escolheu abrir o leque de referências e mergulhar na música de outra era. Apostou nos anos 80 e na sonoridade dançante do House para quebrar fronteiras da sua música. “PJL” soa um álbum experimental, mas com veia RAP, registrando as vivências da periferia, com rimas e o flow marcante do artista. Mas cria conexões com outros compositores e produtores musicais para adentrar um universo sonoro ainda inexplorado na música paraense.


Para dar o toque arrojado no som, Daniel escolheu a dedo produtores e beatmakers que ajudaram a dar vida a essa mistura. O músico e produtor Pratagy escreveu três batidas para o projeto, assumindo a produção das músicas “Tiro de 12”, “PJL” e “Vida Bandida” ao lado de Daniel. “Sex Appeal” foi produto das trocas do rapper com o produtor de beats Erick Di. E a última faixa do álbum recebeu um tempero especial, com versão de “Fogo”, música de Felipe Cordeiro que foi produzida pelo próprio compositor paraense, que convidou Daniel ADR para regravar o som.


Pra completar o time de participações, a música “PJL” recebeu versos e vozes de Pelé do Manifesto, que Daniel conheceu ainda com 8 anos, quando o rapper da Cremação fazia parte do mesmo grupo que o primo de ADR, e que depois dividiram holofotes no grupo de RAP “TQSS” (Tem Que Ser Sagaz). Em “Sex Appeal”, uma música essencialmente de amor, o rapper convidou a cantora e compositora paraense Luê para firmar uma parceria que brindou o feat com um House pop chiclete.


Sobre Daniel ADR - Ainda na escola, começou a rimar para tirar sarro dos colegas e se defender das piadas sobre sua gagueira. Seu talento começou a brilhar ainda mais na Batalha de São Braz quando, ainda com 14 anos e só três meses de rima, começou a vencer participantes com muito mais experiência. No ano seguinte, em 2014, foi considerado o melhor MC do Pará pelo Duelo Estadual de MC’s, representando o estado na etapa nacional em Belo Horizonte. Hoje com 22, Daniel ADR tem 8 anos de estrada e diversos EPs, singles e videoclipes lançados na internet. Além de música, Daniel também é beatmaker e produtor cultural, atuando como organizador da Batalha de São Braz e produtor de projetos da Psica Produções.


Serviço

| O QUÊ: Lançamento do EP PJL de Daniel ADR

| ONDE: Nas principais plataformas de streaming de música

| QUANDO: 19 de março de 2021

| PRÉ-SAVE: Aqui

| MAIS EM: Instagram do artista

Realização: Lei Aldir Blanc Pará, Secretaria de Cultura do Pará, Governo do Pará, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo e Governo Federal.


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