Confira a lenda da Flor de Mururé em clipe em formato de curta-metragem

Atualizado: Mar 7



Grupo paraense do tradicional Carimbó pau & corda mistura elementos documentais e ficcionais, com pitadas de surrealidade, fazendo uma ode ao afrofuturismo amazônico

Foto: Ju Matemba


Com inspiração na lenda e com a música Flor de Mururé, o grupo paraense Carimbó Cobra Venenosa lança seu primeiro videoclipe, em formato de curta-metragem, dirigido por Marcos Corrêa e Priscila Duque. A obra é uma ode à beleza, às encantarias e ao poder feminino amazônico e por isso, será lançada no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, às 10h da manhã no canal oficial do YouTube do Carimbó Cobra Venenosa.


A narrativa apresenta um episódio ficcional de violência, tendo como protagonista Gabriela Luz, atriz e travesti, que realizou, com a gravação de Flor de Murure, seu primeiro trabalho após a transição de gênero. A trama, permeada pelo afrofuturismo amazônico, mistura elementos documentais e ficcionais com pitadas de surrealidade. O vídeo traz também, como personagens, as Orixás femininas Iansã, Oxum e Iemanjá.


A feminilidade amazônica está presente na obra com a reunião de mulheres cis e trans cantando, juntas, pelo fim do machismo e dos crimes de LGBTIfobia. Participam ainda artistas da cena cultural independente de Belém, donas de casa, travestis, crianças, homens cis e trans, os quais, juntos, mostram que a luta por uma sociedade menos violenta é uma bandeira que precisa ser levantada por todos. As gravações aconteceram em Icoaraci e Outeiro, periferia da Região Metropolitana de Belém. A produção, realizada pela Psica Produções, reuniu uma equipe majoritariamente feminina, LGBTQIA+, preta e periférica.


“O mais valioso no processo do clipe é a questão da periferia como potência. É a reunião de pessoas de diferentes idades e gêneros na equipe e no elenco. Foi uma escolha política ter pessoas desse universo, ninguém foi levado para gravar em Icoaraci e Outeiro”, explica o co-diretor Marcos Corrêa. “Quando você coloca no Google ‘Icoaraci’, o que mais aparece são os crimes e as violências. A gente quer mostrar que nesses lugares também tem belezas: nas imagens, na praia, na natureza, mas também nas pessoas. No sorriso de uma mulher cozinhando maniçoba no quintal da sua casa, de crianças brincando. Isso é extremamente potente: mostrar o olhar dessas pessoas periféricas, exibindo a sua beleza para o mundo”, conclui.

A lenda da Flor de Mururé


São Paulo, março de 2021 – Um menino, que saiu vestido de menina, foi agredido e teve seu corpo jogado nas águas dos rios da Amazônia. Ao submergir, voltou em forma da flor de mururé, uma planta aquática com características femininas e masculinas, de origem amazônica, muito comum na região do Afuá (Ilha do Marajó - PA). Essa é a lenda da Flor de Mururé, repassada de forma oral pelas antepassadas de Naraguassu Pureza da Costa (54 anos), uma figura lendária do Afuá, que manteve viva a tradição ancestral da pajelança amazônica.


A música Flor de Mururé foi criada a partir da história contada por ancestrais de Naraguassu Pureza da Costa. A composição é assinada não só por Naraguassu Pureza da Costa, mas também por Luana Peixe, Lana Beatriz Lima, Luah Sampaio Nogueira, Erika Mayane Bonifácio Ramos, Dandara Nobre de Oliveira Nascimento, Eduarda Gama Canto (fundadoras do coletivo Vacas Profanas). Com os ritmos lundu e carimbó, a música faz parte do repertório do Carimbó Cobra Venenosa desde que foi criado, em 2016, e está presente no seu primeiro álbum, homônimo, lançado em 2020. Para o clipe, ganhou uma nova roupagem.


“É mais que uma música, é um mantra de força, uma oração encantada que conecta as pessoas à questão de gênero. Os versos se desenhando em ritmo movimentam o corpo e nos estimulam uma sensação de liberdade, experimentada na cadência do lundu e do Carimbó. Sentimos os tambores. Sentimos a presença da mata. Das águas. Sentimos a força dos encantados, das entidades, dos orixás, ao mesmo tempo que vibramos em uma contemporaneidade que experimentou anos de ocupações, ações coletivas, artivismo, performances e rodas em celebrações e protestos”, descreve Priscila Duque, co-diretora do clipe e líder do Carimbó Cobra Venenosa.

FICHA TÉCNICA

MÚSICA

Priscila Duque: Voz e Maracas

Yago Dias: Banjo

Héron Rodrigues: Percussão & Efeitos

Raíra Maciel: Percussão

Reebs Carneiro: Flauta

Hugo Nascimento (Ugô): Saxofone

Gravação, Mixagem e Masterização: StúdioZ por Thiago Albuquerque


CLIPE

Realização:Psica Produções

Direção: Marcos Corrêa

Direção: Priscila Duque

Direção de Fotografia: Cris Salgado e Hugo Chaves

Figurino: Labô Young, Maurício Franco, Roberta Mártires e Cris Salgado.

Maquiagem: Shayra Brotero

Designer: Mila Fraga

Montagem, finalização e Colorização: Cris Motta

Animação de Artes Digitais: Yan di Maria

Colagens Digitais: Moara Tupinambá

Drone e vídeo dos créditos: Walber Castelo

1ª Assistência de direção: Bárbara Von Paumgartten

2ª Assistência de direção: Mariana Mikaely Corrêa

Paisagem Sonora e Desenho de Som: Rafael Café

Protagonista e roteirista: Gabriela Luz

Consulta de roteiro: Greice Costa

Elenco: Dama das Chamas Circenses (Eli Pinheiro), mãe de santo Rosa de Luyara, AnastaciaMarshelly, Shayra Brotero, Carmo Coutinho, Adelaide Oliveira, Maria do Socorro Rodrigues Duque, AstrumZion, Maria José, Michely Corrêa, Zaira Maciel.


Serviço

O QUÊ: Lançamento do videoclipe Flor de Mururé

QUANDO: No dia 8 de março, às 10h

ONDE: Youtube Carimbó Cobra Venenosa


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